A mãe ideal

Marina“Na ilusão de garantir aos filhos uma boa maternagem, as mulheres tentam realizá-las, ainda que a sua realidade não lhes permita, sentindo-se profundamente frustradas e culpadas quando não conseguem ser para seus filhos a mãe ideal”

Por Marina Otoni: sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela PUC-MG, Especialista em teoria psicanalítica pela UFMG e Mestranda em psicologia pela UFMG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à mulher focando temas como a maternidade e o feminino. (www.clinicabase.com)

Recentemente, tive a oportunidade de ler uma série de livros destinados aos pais de primeira viagem. Para orientá-los, os autores descrevem minuciosamente o desenvolvimento de uma criança em diferentes idades, aconselhando os pais sobre a forma mais adequada de lidar com as questões que surgem em cada etapa da vida. De tudo que eu li, uma autora em especial me fez refletir criticamente sobre esses autores que descrevem o papel dos pais como algo que pode ser aprendido.

Elisabeth Badinter é uma filosofa francesa que publicou na França a sua tese de doutorado “Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno”, causando polêmica ao questionar a existência do instinto materno. Para desenvolver a sua pesquisa, Elisabeth realizou um estudo sobre o comportamento materno das mulheres francesas ao longo dos séculos, concluindo ao finalizá-lo que ao contrário do que espera aqueles que acreditam no instinto materno esse comportamento se modifica de acordo com a época em que a mulher vive e o contexto social e cultura no qual ela está inserida. O que levou a autora a concluir que as orientações que definem para a mulher o que é ser uma boa mãe são fruto de uma construção social, podendo sofrer modificações com o passar do tempo.

Na ilusão de garantir aos filhos uma boa maternagem, as mulheres tentam realizá-las, ainda que a sua realidade não lhes permita, sentindo-se profundamente frustradas e culpadas quando não conseguem ser para seus filhos a mãe ideal.

Para Winnicott, pediatra e psicanalista que estudou o comportamento das mães e seus bebês, às mulheres não deveria ser ensinado o que elas devem fazer com seus bebês. Winnicott acredita que essas orientações transmitidas pelos profissionais que acompanham a sua gestação e os primeiros anos do seu bebê tira dela o que ela tem de mais valioso, a capacidade de se identificar com seu filho e perceber as suas necessidades.

É essa capacidade que só a mulher é capaz de desenvolver que garante uma boa maternagem. Para exercê-la, é necessário que ela questione essas orientações que definem para ela a mãe ideal, assim como as expectativas daqueles que lhe são significativos, como seu companheiro e familiares, procurando identificar a partir da sua história pessoal, que mãe ela gostaria de ser para seu filho. Pois, só assim ela vai conseguir transmitir nos cuidados prestados a ele confiança, verdade e sinceridade.

Não seria essa a mãe ideal?

Rua Alagoas nº 1460, sl.801, Funcionários.Belo Horizonte/MG.30130-160

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