Sexualidade infantil: Como lidar?

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Por Luiza Pinheiro: sócia da Clínica Base, graduada em Pedagogia pela UFMG, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UEMG, e Mestranda em Psicologia pela UFMG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à infância. (www.clinicabase.com)

A infância que muitos de nós ainda hoje consideramos como época de pureza e inocência se configura como fase de descobertas importantíssimas a respeito do mundo, e, principalmente, a respeito da sexualidade. Essa é a fase que Freud, o criador da psicanálise, nomeia como o primeiro despertar. É a primeira busca profunda do sujeito por conhecimento. A curiosidade a respeito de sua origem é a primeira que ele busca sanar. Em seguida se pergunta e inventa teorias a respeito da diferença anatômica entre os sexos. Após este período de pesquisas sexuais é que a criança transfere sua curiosidade e seu desejo de saber para outros temas que não o da sexualidade. Daí a importância de que as crianças pequenas atravessem com tranquilidade essa fase de intensas perguntas relacionadas ao interesse sexual.

Acontece que estas pesquisas das crianças sobre a diferença sexual e de onde vêm os bebês não são fáceis, nem para elas nem para nós. E quando não escutadas e acolhidas, as especulações e curiosidades das crianças podem ser causadoras dos sintomas. É por isso que elas se tornaram alvo dos estudos e da atenção de Freud, e são ainda hoje tema recorrente entre os pais, na escola, e em pesquisas da área.

A grande dificuldade dos adultos em lidar com o tema ocorre devido ao fato de que quando nos deparamos com manifestações da sexualidade infantil somos obrigados a confrontar nossa própria infância, o que nos leva, muitas vezes, a negar a existência da sexualidade das crianças para não ter que enfrentar nossos próprios conflitos e frustrações. O problema é: como deixar de lado todo aquele desconforto em falar desse tema com crianças? Como esquecer as próprias questões e limitações para lidar com esse tema tão delicado?

A má notícia aqui é que não há uma resposta. A boa notícia é que cada um inventa seu próprio jeito para sair dessas situações constrangedoras que sempre nos pegam despreparados. Não há uma receita ou caminho ideal, muito menos uma frase ou explicação que possa responder às dúvidas de todas as crianças e apaziguar todas as mães. Cada uma tem de ouvir a demanda de seus filhos e tentar atendê-la da forma mais atenciosa possível. O que é preciso lembrar, é que se a dúvida surgiu para criança ela precisa ser escutada, acolhida e respondida. Ao menos tentar responder já demonstra que o adulto dá importância aos problemas infantis e emprega esforço em ajudar.

Outro ponto importante é que a criança só precisa saber o que ela pergunta, nada além disso. As dúvidas muitas vezes vêm em etapas, e se ela está curiosa por determinado acontecimento não há motivos para o adulto antecipar todas as repostas. Isso é muito bom para nós também, pois, por mais que seja fato certo que sempre seremos pegos de surpresa pelas perguntas sobre sexualidade, acabamos tendo mais tempo para pensar as respostas para os próximos possíveis questionamentos, o que pode nos fazer sentir mais seguros em falar sobre o tema à

medida que as crianças forem demandando.

Sabendo de tudo isso que você acabou de ler vai ficar fácil agora responder a toda e qualquer pergunta das crianças, não é? Bom, talvez não, mas o que todo adulto que lida com crianças deve tentar pensar é: como ultrapassar suas limitações e lembrar de todas as dicas que vêm de vários lados bem na hora em que a criança te colocou ‘contra a parede’? A grande questão aqui é essa, pois não importa o quanto você leia ou se prepare, tenha certeza de que sempre será pego de surpresa pela curiosidade sexual das crianças. Muitas vezes você vai achar, inclusive, que não deu a melhor resposta, mas não se preocupe. Nesta situação, se o adulto estiver com a intenção de acolher e esclarecer a criança não há certo nem errado. Para cada criança, cada família e cada contexto há diversas formas de abordar este assunto.

Fonte:

ZORNIG, S. M. A. As teorias sexuais infantis na atualidade. In: Psicologia em

Estudo, v. 13, p. 72-78, 2008.

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