O meu filho e o Bullyng

downloadEu sei que a nossa Pedagoga Gabriella Torres escreveu um artigo sobre Bullyng. Belíssimo o artigo, por sinal. Mas, gostaria de fazer um também, com o meu ponto de vista como mãe. Acredito que como eu, exista outras mães passando por isso. É uma fase dura e difícil. A gente se culpa muito, principalmente mães que precisam trabalhar.

Tudo começou quando as férias de Julho terminaram. Na primeira semana, Marcelo ia para a escola sem muita vontade (Como qualquer criança que volta das férias), mas não fazia nenhum tipo de escândalo. Já na segunda semana, ele começou a querer que eu fizesse promessas, como: “Prometa que você vai me buscar na hora do almoço”, ou “Prometa que eu não ficarei mais no integral”. Sim, Marcelo sempre ficou no integral, já que trabalho e não tenho com quem deixar. E eu não podia cumprir essas promessas e não prometia. Daí ele passou a não querer entrar na escola, dava escândalo. Posteriormente, não queria sair do carro. Eu fui me desesperando e ficando muito preocupada.

Conversando com a professora (que sempre me ajudou muito), ficávamos tentando entender o que se passava. Chegava em casa, eu perguntava a ele, o pai perguntava, as avós… ele nunca respondia. Dizia que não gostava mais da escola e ponto. Ficamos muito assustados, porque ele sempre amou a escola. Estuda lá desde os 3 anos. Eu sempre ia pegá-lo no final da tarde e ele reclamava porque eu já havia chegado.

No começo, imaginava que já que havia mudado de emprego recentemente, ele poderia estar precisando de mim. Mas paralelamente, não entendia. Ele ainda continuava sendo amado como antes, tinha atenção como antes. No meio de tanta angustia, comecei a me culpar. E aquilo não tinha fim. A cada dia que passava, seu escândalo piorava. Era só na escola. Eu o deixava e saia de lá chorando. Me culpava, hô meu Deus, como eu me culpava. Pensei seriamente em desistir de tudo, pedir demissão e  ficar só com ele. Saia do trabalho correndo, desesperada, para pegá-lo. A cada dia que passava, aquela criança doce passou a ser agressiva. Toda vez que dizíamos não a ele, ele vinha nos bater. Fiquei realmente assustada. Marcelo sempre foi uma criança doce, meiga, amável e gentil. Não porque é meu filho, mas pode perguntar a qualquer pessoa que convive com ele.

Até um dia, eu consegui chegar mais cedo na escola, do que o normal. Foi aí que peguei um menino batendo nele e outro mandando. E ele, com aquele olhar triste, atordoado. Quando me viu, parecia que estava ficando aliviado. Como se tivesse saindo de um tormento. Foi aí que comecei a entender tudo. Forçadamente, perguntei a ele o que estava acontecendo. Ele começou a relatar que, como tem um problema de dicção (tem troca de fonema e faz fono), 2 meninos batem nele constantemente, na escola. E outros 2 meninos, vivem mandando ele fazer coisas que ele não quer fazer e ficam chamando ele de bebê, entre outras coisas. E se ele não fizer o que esses meninos querem, ele fica sem amigos. Devido a isso, ele não gosta mais da escola. Assim que soube disso, fiquei chocada e muito muito triste. Não culpo nenhuma criança, nem os pais, nem ninguém. Afinal, criança é criança. Em algum momento, passamos por isso. Na verdade, crianças não tem malícias e agem de forma natural. Cabe a nós, pais e a escola, ficarmos atento com tudo. Ainda estou passando por essa fase difícil, mas acredito que vai passar. Estou tendo muita ajuda da professora e algumas mães que estão de olho. Aliás, a professora é meu anjo da guarda. Estamos conversando muito com ele e procurando uma psicologa. Ele vem melhorando gradativamente. Ainda fica um pouco receoso com a hora da largada. Fica querendo saber a hora que vamos pegá-lo e quer ir todo dia de relógio. Só fiz esse desabafo, para as mães que estejam passando ou passaram pelo mesmo que eu, fiquem atentas. Bullyng é sério sim, e pode mesmo mexer com o psicológico de qualquer criança.

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