Experiência de mãe

 

Relato de um Parto Normal.

“Se eu fosse rica teria pelo menos 5 filhos. Todos de parto normal.”

Marta Arabyan Depoimento de Marta Arabyan

(Fotografa, produtora e mãe de Sofia, de quase um ano)

Há um ano eu descobri que estava grávida. E a primeira coisa que pensei quando abri o resultado do exame foi: Que legal, vou parir!
Eu dei à luz em um parto normal há 4 meses. Foi a maior emoção da minha vida! Meu esposo esteve comigo todo o tempo, me abraçando, beijando e conversando. Saí da sala de parto andando, pois depois que Sofia nasceu me deixaram sozinha, e impaciente pela demora da maca, resolvi ir para o quarto enrolada apenas em um lençol. Já no final do corredor foi que o maqueiro chegou e me obrigou a deitar nela.
Já na enfermaria tomei meu banho, vesti minha camisola, sentei-me à mesa e comi horrores (o esforço do parto me abriu o apetite), e recebi todas as visitas em pé, andando e teatralizando bem o parto enquanto tagarelava como havia ocorrido tudo.
Sempre que minha neném chorava eu me levantava da cama e a pegava no colo, depois me sentava novamente apoiando as costas para amamentá-la.
Adoraria parir mais umas 10 vezes! Se eu fosse rica teria pelo menos 5 filhos. Todos de parto normal!
Nessa enfermaria que fiquei na maternidade Santa Lúcia havia outro leito fora o meu, onde estava uma moça que havia feito uma cesariana. Ela estava deitada na cama parecendo uma morta, pois não podia se mexer, usar travesseiro, nem sentar, muito menos levantar. Fazia suas refeições também deitada com sua irmã lhe dando comida na boca. Uma sonda levava sua urina direto para uma bolsa plástica transparente que ficava pendurada na cama bastante visível, o que era muito constrangedor. Recebeu algumas visitas, seus familiares olhavam para o bebê, conversavam entre si, mas ela não participava da conversa, nem podia falar para não sofrer depois com as dores dos gases. Esboçava uns sorrisos escutando a conversa alheia, mas sem interagir, só ficava lá olhando para o teto, muda e dura feito uma estátua humana.
Vendo esta cena me perguntei o que ela falaria do nascimento do seu filho? Não sentiu dores, não o viu nascer, não pôde abraça-lo direito, nem participou de quase nada. Essa moça também teve bastante dificuldade de amamentar pois como não podia sequer sentar, a posição deitada dificultava bastante o manejo com o neném. Por umas duas vezes em que ela ficou sozinha na enfermaria comigo eu precisei ajuda-la pegando o neném para que ela o amamentasse. Era visível: sofriam ela e o seu bebê. Somente no outro dia apareceu uma enfermeira, que a ajudou a sentar na cadeira de rodas, e lhe deu um banho, ajudando-a a se vestir, e a conduzindo até a cama, onde fez outra refeição, desta vez menos incômoda pois já podia usar um travesseiro.
Não sou contra a cesariana mas acredito que o importante seja A SEGURANÇA DA MULHER PARA QUE A MESMA TENHA UM PARTO TRANQUILO DA MELHOR FORMA. Quero dizer a todas que meu parto foi maravilhoso, esplêndido, rápido, mágico, tranquilo! Equipe médica e meu esposo interagiam muito comigo. Todos conversavam muito. Estávamos todos totalmente descontraídos.
Até hoje me divirto contando para minhas amigas todos os passos, desde as primeiras contrações, à meia noite do dia 4 de junho, até às 13:10 do mesmo dia, quando então vi minha Sofia saindo de dentro de mim e vindo direto para os meus braços. Foram mais de 12 horas de trabalho de parto. Mas apenas nas últimas 5 horas senti dores. Meu marido cortou o cordão umbilical e pode segurar Sofia também.
Gostaria de ressaltar que sofri de depressão na gravidez. Não conseguia estudar, tive que pedir licença na faculdade e abandonar o curso de francês. Abdiquei de resolver os preparativos para a chegada da criança em nossa casa. Meu marido tomou a frente de toda preparação para a vinda da nossa filha. Mal tirei fotos da barriga. E quando tirava era com sacrifício, pois ainda me restava a lucidez de que depois que a depressão passasse, eu me arrependeria de não ter “curtido a barriga”. Chegou a ser cogitado a possibilidade de eu não amamentar para assim poder tomar medicações.
A depressão começou no quinto mês da gestação, e passou instantaneamente, sem necessidade de medicação, logo após o parto. Como um milagre!
Às 9h da manhã do outro dia já estávamos de alta médica da maternidade.
Quero dizer que a recuperação do parto normal simplesmente não existe, porque pelo parto normal você não tem nem do quê se recuperar. E que pela experiência da cesariana que assisti na enfermaria da Maternidade Santa Lúcia – bem ao lado da minha cama – eu jamais me submeteria a uma cirurgia como a do parto cesário pelo simples medo de uma dor, que dá e passa. O que fica mesmo é a lembrança da maior emoção do mundo!
Espero que meu depoimento ajude a todos. Bjs em todas as gravidinhas e um excelente nascimento para os futuros bebês!”


 

Anúncios

Um comentário em “Experiência de mãe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s